terça-feira, 30 de dezembro de 2008

O Nosso Balanço V




O Nosso Balanço
5 – As Tertúlias: O ciclismo em Alcobaça
Foi esta, como já era esperado, a tertúlia mais participada, quer em número de presenças, quer no número de intervenções dos presentes. Fernando Vieira era o “Homem do Dia” nesta sexta-feira da “II Semana do Ciclismo em Alcobaça” e nessa qualidade esteve presente na mesa.
Também na mesa, Timóteo de Matos, Presidente do Clube, abriu a sessão com breve introdução sobre o tema desta sessão, ao mesmo tempo que anunciava a presença na sala de duas pessoas muito especiais: o Presidente da Real Federação Espanhola de Ciclismo, Fulgêncio Sanchez, e Maria Soares, esposa do antigo director do Benfica, José Soares, já falecido, que durante anos chefiou o departamento de ciclismo daquele clube. Passou de seguida a palavra a Fernando Vieira que historiou a sua carreira no Benfica e a sua vinda para Alcobaça onde, com Timóteo de Matos, iniciou o ciclismo a sério, com uma equipa de Seniores B, patrocinada pela Nutrigado, no fim dos anos 70 e início dos anos 80.
A assistência interveio com perguntas para melhor saber como tinha Fernando Vieira conhecido a esposa, Margarida Vieira, presente na sala, e como era a vida de um casal em que o marido se dedica durante tanto tempo ao ciclismo.
A intervenção de Margarida Vieira colheu muitos aplausos sobretudo ao concluir com: “ tudo isto se deve ao grande amor que temos um pelo outro”! Outro dos grandes momentos da noite foi a intervenção de Maria Soares relembrando os tempos em que ela e o marido suportavam quase tudo no ciclismo do Benfica, desde o avançar de dinheiro até ao levantar de madrugada para fazer panelões de comida para os ciclistas. E a sala aplaudiu e emocionou-se quando, para terminar, se dirigiu a Fernando Vieira:
“- Anda cá meu malandro, anda cá, que te quero dar um grande abraço!”
Foram depois, pela noite, relembrados outros episódios: a interrupção do “Porto – Lisboa” em Alcobaça em 10 de Junho de 1982, cuja história é contada noutros textos deste blog, as edições do Circuito de São Bernardo, um do melhores e mais concorridos circuitos do País, e os anos mais recentes do ciclismo em Alcobaça, primeiro com a Associação Alcobacense de Cultura e Desporto e depois com o Alcobaça Clube de Ciclismo.
A sala voltou a entusiasmar-se e a aplaudir quando o Presidente da Real Federação Espanhola de Ciclismo, Fulgêncio Sanchez, dirigiu a todos algumas palavras de incentivo, agradecimento e aplausos, referindo a dado momento: “Hoje o ciclismo está bem vivo e estará sempre, enquanto pessoas como estas teimarem em transmitir aos outros o entusiasmo com que o vivemos”.
Continuou, ainda, a sessão, com entusiasmo e em festa e prolongou-se pela noite com a PGM a tomar declarações e imagens para exibição na televisão. A dado momento entrou na sala, acabado de chegar do aeroporto, Eric Leman, ciclista belga que em 1968 ganhou o “Porto – Lisboa” e houve ainda tempo para uma cerveja entre amigos e oportunidade para um alegre convívio e mais dois dedos de conversa.
Desta tertúlia, a todos os títulos memorável, ficam algumas fotografias e fica aqui também, mais uma vez, o agradecimento ao Dr. Jorge Pereira de Sampaio e aos pais pela amável cedência daquele espaço tão bonito que é a sala de café do Café Tertúlia, onde sempre tão bem nos receberam.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O Nosso Balanço IV


O Nosso Balanço
4 – As Tertúlias: Nicolau e Trindade


Decorreu na 4ª feira, 29 de Outubro. A organização temia uma participação menor já que, por circunstâncias diferentes, quer Ana Maria Nicolau, quer José Trindade, filhos, respectivamente, de José Maria Nicolau e de Alfredo Trindade, não puderam estar presentes.


Mas correu exactamente ao contrário. Após breve introdução, feita pelo coordenador da Organização, Timóteo de Matos, resumindo a actividade desportiva dos dois ciclistas, entrou-se num debate vivo sobre o fair-play no desporto e ainda sobre o ciclismo em Portugal, até à actualidade.

Não ficaram de fora as preferências clubísticas e recriou-se na sala um Benfica – Sporting bem jogado em palavras, sempre bem disposto, onde talvez tenham levado a melhor os apaniguados do Nicolau por disporem do Diamantino Faustino e do Rui Alexandre dois elementos muito aguerridos, enquanto da outra parte, o José Carlos, estando na mesa usou de maior contenção e o José Félix também não se mostrou com grande propensão para disputas renhidas.

Fernando Vieira, antigo ciclista e treinador do Benfica, teve também duas ou três intervenções onde explicou a diferença entre o ciclismo antigo e o actual.

Encerrou-se a sessão havendo muito mais a acrescentar já que, com o avançar da noite, se foi entrando no preâmbulo do tema da Tertúlia seguinte, o ciclismo em Alcobaça.
Para relembrar Nicolau e Trindade, poderá o leitor consultar, neste blog, o texto “Nicolau e Trindade – o Benfica – Sporting dos Anos Trinta”.

Seguem-se algumas fotografias para que todos possamos relembrar esta Tertúlia:



segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Nosso Balanço III


O Nosso Balanço

3 – As Tertúlias: Abílio Gil Moreira

Teve lugar em 28 de Outubro e contou com a presença do filho Arq.º Carlos Alberto Gil Moreira, a quem agradecemos.

Foi uma noite de grandes recordações, aqui e ali vivida também com alguma emoção.

Numa primeira intervenção Gil Moreira falou do pai e relembrou o Homem que muitos conhecemos, pessoa inteligente, sensível, organizada. E vieram à baila as capacidades que o notabilizaram no ciclismo, onde foi praticante de grande nível, representando o Benfica, clube no qual ombreou com José Maria Nicolau e outros de grande valia.

Mais tarde foi tudo no ciclismo: jornalista, treinador, estudioso, fabricante e comerciante.

A sala foi-se entusiasmando a pouco e pouco e, à medida que Gil Moreira ia exibindo recordações (livros, apontamentos, dedicatórias, objectos) cada uma dos presentes reviveu a imagem daquele que foi uma das maiores figuras do ciclismo português.

Fechando com chave de ouro, o anfitrião, Dr. Jorge Pereira de Sampaio, fez a proposta de que fosse atribuído o nome de Abílio Gil Moreira a uma das ruas de Alcobaça o que mereceu a aprovação de todos os presentes e vai ser levado às instâncias competentes.

Segue-se uma pequena resenha para relembrar quem foi o Abílio Gil Moreira e algumas fotografias para recordarmos a Tertúlia:

Abílio Gil Moreira nasceu a 13 de Junho de 1907, sendo, portanto, um ano mais velho que os seus colegas e rivais, os conhecidos Nicolau e Trindade, com quem conviveu.

Desde pequeno conviveu com muitos dos pioneiros do Ciclismo em Portugal o que foi decisivo no seu bem conhecido amor pela modalidade.

Aos 17 anos já estava a competir em provas oficiais e mais tarde, durante longos anos, a descrever e a criticar a modalidade em jornais e revistas diversas.

Concluímos este apontamento com um texto extraído, com a devida vénia, do livro “A História do Sport Lisboa e Benfica em Duas Rodas”, de onde são também extraídos a caricatura e a fotografia que apoia o texto.

Foi um dos corredores de melhor preparação técnica, em várias épocas, a começar por 1931, em que conquistou e ajudou a conquistar numerosos triunfos:

Vencedor das provas clássicas da União Velocipédica em 1931, a Volta dos Campeões da Figueira da Foz em 1932; vitória na Taça dos Inválidos do Comércio, Volta a Portugal em miniatura com 6 etapas; vencedor da Lisboa – Cascais – Lisboa; vencedor da prova Alcanena – Alcobaça e grande prémio da Vila Moreira; dezasseis vitórias em provas de pista, nomeadamente, campeonato regional “horas à americana”; critério internacional, provas de velocidade pura e de perseguição, duas vitórias sobre Rolos…

Estas foram algumas das suas vitórias individuais, muitas foram também as vitórias colectivas do Benfica das quais fizeram parte, dezasseis triunfos, formando equipa com José Maria Nicolau e Carlos Domingos Leal.

Gil Moreira após abandonar o ciclismo como atleta encontrou novas formas de servir o ciclismo: como jornalista e dirigente.

Como jornalista acompanhou a Volta à França em bicicleta no ano de 1946, especialmente convidado pelo jornal L’Equipe, sendo assim o primeiro jornalista a ter honra de acompanhar a Volta a França, tendo feito reportagens para: Mundo Desportivo e Diário de Notícias, e de camisola ainda como jornalista a sua presença na Volta a Espanha, e na Volta a Itália realizando reportagens para Mundo Desportivo, Diário de Notícias, Diário de Lisboa e Diário Popular.

Deve-se ainda, à iniciativa de Gil Mreira a ida do primeiro ciclista Português (Alves Barbosa) à Volta à França em 1953. Como técnico deu treinos às equipas de ciclismo do Moscavide e do Águias de Alpiarça.

Foi por seu alvitre que se construiu a pista de ciclismo de Alpiarça que ainda hoje existe.

Director técnico da equipa da “Iluminante”, primeira equipa profissional existente em Portugal.

Autor do livro “ABC do Ciclismo” publicado em 1964 visando a aprendizagem da modalidade. EM 1980 é editada a obra de Gil Moreira “A História do Ciclismo Português”.

Após este relato é necessário acrescentar as palavras do jornalista Carlos Pinhão em 1987:

Era um senhor, tomou a peito o ciclismo, estudou-o e fez dessa paixão o seu modo de vida, estabeleceu-se com uma empresa de bicicletas e foi técnico de ciclismo, seleccionador nacional, dirigente, organizador, jornalista, foi tudo o que se poderia ter sido no nosso ciclismo.”

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O Nosso Balanço II


O “Porto – Lisboa”
O Nosso Balanço
2 – As Tertúlias: Ribeiro da Silva
A primeira das 4 tertúlias teve lugar em 25/10/2008, dia da abertura da II Semana do Ciclismo em Alcobaça. Ribeiro da Silva, falecido há 50 anos foi o tema da tertúlia. O local, como sempre, o “Café Tertúlia”.
Entre os presentes contavam-se quatro sobrinhos de Ribeiro da Silva, bem como o irmão Fernando e um dos grandes amigos Nelson Lopes que se deslocaram propositadamente a Alcobaça.
Foi uma tertúlia muito animada onde se falou dos feitos de Ribeiro da Silva mas, sobretudo, de quem ele era como pessoa, dos seus defeitos e virtudes.
Foram exibidos, pelos familiares e pelo amigo, alguns objectos pessoais, fotografias e cartas por ele escritas que muito enriqueceram a tertúlia.
Todos ficámos a conhecer melhor quem foi Ribeiro da Silva e sobretudo considerámos que foi oportuno e importante recordá-lo. Aos familiares e sobretudo ao irmão Fernando e ao amigo Nelson Lopes agradecemos tudo o que de novo nos trouxeram. Para a sobrinha Maria João Silva vai um agradecimento muito especial pela ajuda que nos deu, obtendo os materiais para a exposição e ainda pela presença e intervenção na tertúlia! Aquele abraço, Maria João!
Ribeiro da Silva merecia, a nosso ver, que, no 50º aniversário da sua trágica morte, alguém mais importante que o Alcobaça Clube de Ciclismo se lembrasse dele e fizesse uma homenagem nacional àquele que, tendo competido apenas até aos 22 anos de idade, conseguiu ser um dos cinco ou seis mais importantes ciclistas portugueses de sempre. Para recordação dos presentes e inveja dos que lá não estiveram incluímos algumas fotografias da tertúlia.


De Portugal - 50 Anos de Ciclismo



De Portugal - 50 Anos de Ciclismo


De Portugal - 50 Anos de Ciclismo
De Portugal - 50 Anos de Ciclismo

(acima: aspectos da sala, vendo-se, na Mesa, 1ª foto, Maria João Silva, Timóteo de Matos e Nelson Lopes)
Para que todos melhor possam conhecer Ribeiro da Silva e, com a devida vénia, deixamos uma pequena biografia retirada de um opúsculo, editado pela Fundação “A LORD”, bem com algumas fotografias do ciclista.
RIBEIRO DA SILVA, UM CAMPEÃO LORDELENSE
José Manuel Ribeiro da Silva, conhecido entre os amigos pela alcunha de “quarta-feira”, nasceu em Lordelo, lugar de Soutelo, em 16 de Fevereiro de 1935. Cresceu no seio de uma família numerosa, sendo o do meio de um conjunto de oito irmãos.
Seguindo de perto a referência que sobre o ciclista faz a publicação comemorativa dos 75 anos do Académico Futebol Clube, vemos que começou cedo a trabalhar. Com 10 anos trabalhava já na fábrica de móveis de seu pai, em Frazão, freguesia limítrofe do concelho de Paços de Ferreira e vizinha de Lordelo.
Mas o gosto pelo desporto, muito especialmente pelo ciclismo, também começa a entusiasmá-lo desde muito cedo. No entanto, apenas aos 15 anos começa a entrar em provas desportivas, mas só aos 17 participa na sua primeira corrida oficial, na categoria de populares: em Pinheiro Manso (Porto), tendo conseguido classificar-se entre os cinco primeiros concorrentes. Participou depois na corrida “Porto – Trofa”, em que obteve também uma excelente classificação. Continuou a progredir e a correr. Participa também numa prova em Valongo onde conseguiu obter um avanço de 8 minutos em relação ao seu rival mais próximo, ainda na categoria de populares.
Começou então a tentar inscrever-se num clube onde pudesse treinar e aprender mais sobre a modalidade que praticava. Não conseguiu alistar-se no Futebol Clube do porto, mas em 1953 o Académico Futebol Clube recebeu-o e apoiou-o, tendo obtido com isso, enormes vitórias.
Nesse mesmo ano, no Campeonato Regional de Juniores ganhou duas das três provas, e só não venceu a primeira por ter dado uma queda, já dentro da pista do estádio do “Lima”. Nessa época as provas eram ganhas por pontos e não por tempos, o que levou a que não tenha conquistado um Campeonato Regional. Assim, nesse mesmo ano passou à categoria de Independente no clássico “Porto – Lisboa”, classificando-se em 9º lugar.
No ano seguinte obteve o 2º lugar no Campeonato Nacional de Ciclismo e nesse mesmo ano surge o convite para participar na “Volta a Pontevedra”, prova onde confirmou as suas qualidades, como grande ciclista em estrada e montanha, tendo-se classificado em 5º lugar e vencido o Prémio da Montanha da referida Volta. Aqui se bateu com o já consagrado ciclista Loronõ, e de outros grandes ciclistas espanhóis. Inicia-se assim a sua divulgação internacional.
Nesse mesmo ano vence o Circuito de Paços de Ferreira.
Em 1955, com apenas 20 anos, obteve várias vitórias:
Campeão Regional de Fundo, Vencedor do Circuito de Santo Tirso, 2º Classificado nos Campeonatos Regionais de Velocidade e vencedor absoluto da “Volta a Portugal”, obtendo o 3º lugar no Prémio da Montanha.
No ano seguinte, em 1956, fica em 2º lugar na “Volta a Portugal”. Em 1957, com apenas 22 anos de idade, consegue um dos momentos mais brilhantes da sua curta carreira, ao vencer a prova “Paris – Evreux”, integrada na “Volta a França”, uma das mais importantes a nível internacional, e que consistia em correr uma distancia de 160 kms. Correu a uma média horária de 41,379 Kms. Nesta prova, vence o famoso Tourmalet. De referir que Anquetil, o vencedor da volta, foi rebocado no Tourmalet e Aubisque por Ribeiro da Silva, quando se sentia em dificuldades. A imprensa estrangeira fez largas apreciações a este desportivismo de Ribeiro da Silva. Participaram também nesta corrida os portugueses: Alves Barbosa e Artur Coelho.
Continua a sua carreira brilhante, e torna-se Campeão Regional de Estrada, vencedor do Prémio da Montanha da “Volta a Pontevedra”, classificando-se à frente dos famosos Trueba e Bahamontes. Nesta prova participaram também vários portugueses, entre os quais Alves Barbosa e Luís Gonzaga.
É também o 1º estrangeiro na “Volta a Espanha”, classificando-se no 4º lugar. Durante a corrida Ribeiro da Silva sofreu de várias pequenas enfermidades, mas prosseguiu com coragem.
Nesta “Volta a Espanha” participaram também os seguintes ciclistas portugueses: Alves Barbosa, Carlos Carvalho, João Marcelino, Joaquim Carvalho, Sousa Santos, Agostinho Ferreira, José Firmino, Artur Coelho e Manuel Graça.
De todos estes ciclistas, apenas chegaram ao fim Ribeiro da Silva, Alves Barbosa, Agostinho Ferreira, que foi intitulado como o Campeão da coragem, dadas as condições em que correu quase sempre, o mais penosamente que é possível conceber-se. À chegada ao Porto, a população consagrou Ribeiro da Silva e Agostinho Ferreira, recebendo-os apoteoticamente. Em 1957, o Académico consegue vencer a “Volta” colectivamente, tendo Ribeiro da Silva ganho a Volta e o Prémio da Montanha. Ribeiro da Silva estabelece novo recorde da Volta, que teve a duração de dezoito dias.
Percorreram-se 2.694 Kms, tendo Ribeiro da Silva vencido com 80h 22m. Ribeiro da Silva venceu, também, o Prémio da Montanha com 36 pontos.
Por deliberação de 12 de Junho de 1957, a Associação de Ciclismo do Norte galardoou José Manuel Ribeiro da Silva, com a medalha de ouro.
A 9 de Abril de 1958 morre Ribeiro da Silva, com 23 anos, vítima de um brutal acidente de viação, na recta de Lagoas, Lousada.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O Nosso Balanço

O "Porto - Lisboa"

O Nosso Balanço
1 - Introdução

Terminada a festa, arrumada a casa, escorraçado o "stress", retomadas as forças com o S. Martinho e as castanhas, importa agoa fazer um balanço desta 2ª edição da festa "PORTUGAL - 50 ANOS DE CICLISMO":

Positivo o encontramos, pois, malgrado as imperfeições, os erros, as omissões, parece-nos ter valido a pena o esforço. Mesmo quando, como foi o caso, tivesse havido quem o não tenha compreendido e talvez o devesse ter feito.

O Alcobaça Clube de Ciclismo é um clube pequeno e sem meios. Abalançámo-nos a esta iniciativa conscientes das dficuldades que se nos iriam deparar e elas existiram efectivamente, mas também muitos apoios foram bem reais. Não só económicos. Também as palavras, a colaboração, os incentivos nos sensibilizaram.

E valeu a pena. A "pedrada no charco" pode não ter resultado plenamente. Mas a festa encheu de alegria alguns dos homenageados. O sorriso de satisfação de alguns deles, o brilhozinho nos olhos, foi para nós compensação bastante de todos os esforços feitos.

Um reparo à imprensa desportiva nacional: Ignorar um evento desta natureza não é prestigiante, tanto mais que foram feitos diversos comunicados à imprensa. Só o "Jornal do Ciclismo" publicou um texto sobre a festa. Para a imprtância do acontecimento parece-nos pouco.

Uma palavra de apreço aos jornais da região que muito colaboraram na divulgação dos diversos momentos da festa. E, também, à PGM que fez, na SportTV, e vai fazer, na RTP Memória, um excelente trabalho de divulgação do ciclismo, dando a este acontecimento a importância que julgamos merecer.

Concluímos esta pequena nota de introdução com a informação de que nos dias seguintes iremos  fazer, em diversos apontamentos, o balanço de todas as actividades que decorreram em Alcobaça no âmbito desta festa. Esteja atento.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

OS TEXTOS DOS NOSSOS CONVIDADOS

Guita Júnior é um Jornalista a quem o ciclismo muito deve. A cobertura de 47 Voltas a Portugal e o excelente livro “História da Volta” guindam-no à companhia daqueles que muito e bem escreveram em Portugal sobre o ciclismo.
Convidado a intervir no nosso colóquio, não hesitou. E fê-lo com brilhantismo, como sempre. Publicamos, de seguida, devidamente autorizados, a sua intervenção e daqui lhe enviamos “aquele abraço”.

VAMOS RESSUSCITAR
O “PORTO – LISBOA”!...
EM DUAS ETAPAS

Alcobaça assistiu durante décadas à passagem da caravana do “Porto – Lisboa” e uma das edições, a de 1982, teve aqui o seu termo devido a um protesto da população por o clube local de futebol ter sido impedido de subir de divisão.


Quando o “Porto – Lisboa” passava em frente do Convento, esse dia era, todos os anos, um dia de festa, que fazia parte das tradições desta terra, que deve a sua paixão pelo ciclismo ao saudoso Gil Moreira.


Mas desde há quatro anos que essa tradição se quebrou, deixando um vazio nos hábitos das gentes de Alcobaça, que mantiveram, contudo, o seu entusiasmo pelo ciclismo como se demonstra pelo dinamismo da actividade do clube local.

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A clássica “Porto – Lisboa” morreu em 2004, depois de uma existência algo conturbada, mas com mais momentos felizes do que menos bons.

Nasceu em 1911, com a vitória de um estrangeiro, o francês Charles George, e deu o último suspiro com um português no pódio, o nosso contemporâneo Pedro Soeiro. Entre um e outro realizaram-se nada menos de 74 edições.

A sua história conheceu vário interregnos, uns devido a crises de natureza financeira, outros em consequência das guerras.

Realizadas as primeiras duas edições, em 1911 e 1912, as duas capitais do país só voltaram a ligar-se por esta popular manifestação desportiva seis anos depois, em 1918, com Joaquim Dias Mais, sucessor de Larangeira Guerra, a dra sequencia à primeira série de 35 vitórias de portugueses, interrompida em 1967 e 1968 pelos belgas Godefroot e Eric Leman.

O “Porto – Lisboa” esteve ausente nos anos de 1919 a 1921, 1923, 1929 a 1931, 1943 a 1948, 1950 e 1955, para a partir de 1956 prosseguir a sua existência até 2004, depois de dois anos antes ter experimentado, sem êxito, um figurino nada condizente com o espírito que levou à sua criação, transformado em prova por etapas e em estafetas.

Entre 1956 e 2001, o “Porto – Lisboa” conheceu a sua maior série de edições consecutivas, nada menos de 45, a que se juntam as de 2003 e 2004, pois a de 2002, pelo sistema em que foi disputado, não deverá considerar-se na lista da clássica de um dia, mas sim na lista da clássica de dois dias que vier a ser criada.

Além de Charles George (1911), de Godefroot (1967) e Eric Leman (1968), os outros vencedores estrangeiros foram o russo Oleg Logviin (1992), o brasileiro Cássio Freitas (1996), o búlgaro Atanas Petrov (1998) e os espanhóis Melchor Mauri (2000), que baixou o recorde para 7h 56m 27s, e Unai Yus, que apenas ficou a seis segundos daquela marca. Portanto, apenas oito estrangeiros inscreveram os seus nomes na lista dos vencedores do “Porto – Lisboa”.

Passando em revista essa lista, o destaque vai para Fernando Mendes que, com a camisola do Benfica, averbou três triunfos consecutivos nos anos de 1971, 72 e 73.

Também com três vitórias aparecem:
João Francisco (Campo de Ourique e Belenenses), em 1927, 28 e 33;
José Maria Nicolau (Benfica), em 1932, 34 e 35;
e Alexandre Rua (Coelima e FC Porto), em 1980, 82 e 84,

… a de 1982 com a particularidade, como já disse, da prova ter sido interrompida à passagem por Alcobaça.

O “Porto – Lisboa” foi, portanto, a maior clássica do ciclismo português, prova da qual se orgulham todos os amantes do ciclismo, ao longo de quase um século, que se completará daqui por três anos.

Bem se pode dizer que o “Porto – Lisboa” foi o precursor da Volta a Portugal, criada 16 anos mais tarde.

É certo que, no seu figurino original, o “Porto – Lisboa” não poderia continuar antes do mais pela sua quilometragem que ultrapassa em muito o que os regulamentos internacionais permitem.

No entanto, penso que seria possível mantê-la disputada em dois dias, com a possibilidade de se alterar o local intermédio com a chegada a uma localidade e a partida de outra, e quilometragem entre os 150 e os 170 Km.

É uma proposta que, certamente, não deixará de merecer a reflexão de quem de direito para corrigir um erro e fazer ressuscitar uma corrida que deve merecer o respeito e o carinho que é devido a tudo o que são símbolos de um passado da história desta modalidade desportiva.

GUITA JÚNIOR
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PS: É bom que se ponham os olhos no que, neste particular, se passa no estrangeiro, na longevidade de um “Paris – Roubaix” (261 km), criado em 1896,
num “Liége – Bastogne – Liége” (258,5 km), criado em 1892,
ou no Milão – Turim (199 km), que existe desde 1876,
para citar apenas três exemplos, da França, Bélgica e Itália.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Quem Passa Por Alcobaça...

JOSÉ LUÍS PACHECO

Iniciou a actividade em 1967, tendo abandonado em 1978.
Como amador de 2ª, foi campeão regional e nacional de rampa, campeão regional e nacional de perseguição por equipas em pista e campeão de perseguição em pista.
Como amador de 1ª foi campeão regional de fundo e campeão regional e nacional de contra-relógio por equipas.
Foi, ainda, como profissional, campeão regional e nacional de contra-relógio por equipas.
Participou em muitas provas ganhando algumas delas.
Na Volta a Portugal obteve o 5º lugar na geral em 1969 entre outras boas classificações.
Representou a Selecção Nacional nos Campeonatos do Mundo de Estrada Leicester (1970) e em Mendrizio.

Foi um dos ciclistas forçados a parar, em Alcobaça, no Porto-Lisboa de 1982 e será um dos nossos homenageados.
Por isso...

Não passa sem cá voltar!