sábado, 18 de outubro de 2008

Quem Passa Por Alcobaça...

VITOR RODRIGUES

Vítor Paulo Gomes Rodrigues nasceu em 03/09/1964, na cidade da Beira, em Moçambique.
Iniciou a sua carreira em Março de 1976, tendo-a terminado em 1989. Ao longo desse tempo representou, sucessivamente, as seguintes equipas: Rodaplana, Manique, Venda do Pinheiro, Bombarralense, Lousa, Sporting C.P., Louletano e Olhanense.
Foi Campeão Nacional de Pista e venceu o Porto-Lisboa em 1985, com a camisola do Bombarralense.
Venceu várias etapas em Prémios Nacionais, tendo sido portador e vencedor de diversas camisolas também de Prémios Nacionais.

Ganhou o Porto - Lisboa em 1985, com a camisola do Bombarralense e será um dos nossos homenageados.
Por isso...

Não passa sem cá voltar!

Quem Passa Por Alcobaça...

RAUL TEREBENTINO

Raul Fernando Estradas Terebentino, nasceu em 20/04/1959, na freguesia e concelho de Alpiarça.
Iniciou a sua carreira no ano de 1978 e terminou-a no ano de 1987.
Representou as equipas do Verdelho (Santarém), Belas (Sintra), Campinense (Loulé), Coimbrões (V.N.Gaia ), Coelima (Guimarães) e Olhanense.
Foi em 1979 Vice-Campeão Regional de Estrada e ainda Vice-Campeão Nacional de Pista (perseguição) e Rampa.
Ao longo da carreira obteve diversas vitórias, nomeadamente nos circuitos de Azenhas do Mar e Sabugo e em etapas dos Grandes Prémios Jornal de Noticias e do Comercio do Porto, tendo ainda sido vencedor do Prémio da Montana no Prémio Abimota.
Na Volta a Portugal de 1987 obteve o 13º lugar, tendo no entanto portador da “Camisola Amarela”, durante 6 etapas.

Foi um dos ciclistas forçados a parar, em Alcobaça, no Porto-Lisboa de 1982 e será um dos nossos homenageados.
Por isso...

Não passa sem cá voltar!

Quem Passa Por Alcobaça...

ALFREDO GOUVEIA

Alfredo José Veloso Gouveia, nasceu em 29/03/1954, na freguesia de Oliveira, concelho de Mesão-Frio.
Iniciou a carreira no ano de 1972, tendo-se retirado em 1987 e durante estes anos representou o Sporting C. P., Costa do Sol Aguais de Alpiarça, Coelima, Coimbrões, Louletano e Salgueiros.
Ganhou muitas provas, das quais se destacam o Prémio Laranjina C em 1974, O Prémio Internacional de Setúbal em 1979 e o Grande Prémio JN de 1981, tendo ainda um 4º lugar na Volta a Portugal em representação do Coimbrões.
Em 1974, na classe de Juniores, foi Campeão Regional de Pista, Campeão Regional de Rampa e Campeão Nacional de Pista. Como sénior foi, em 1976 Campeão Regional de Rampa e Vice-Campeão Nacional de Rampa e ainda Campeão Regional de Rampa e de Pista em 1977.

Foi um dos ciclistas forçados a parar, em Alcobaça, no Porto-Lisboa de 1982 e será um dos nossos homenageados.
Por isso...

Não passa sem cá voltar!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

OS TEXTOS DOS NOSSOS CONVIDADOS

O texto que se segue foi-nos enviado por Alves Barbosa que, por ser figura pública, dispensa quaisquer apresentações. Enviou-o, respondendo ao nosso pedido, com a gentileza, pontualidade e rigor que o caracterizam.
Há algum tempo, em cavaqueira amena, tínhamos-lhe dito que o tema da Festa ia ser “O Porto-Lisboa – a única prova que o Alves Barbosa nunca ganhou!”. Sorriu e – homem inteligente – compreendeu o elogio implícito...
E aqui vai, escrita pelo próprio, a explicação de nunca ter ganho o “Porto-Lisboa”, para que conste e todos saibam. E vai também um grande abraço para esse excelente amigo que é o Alves Barbosa.



“O PORTO – LISBOA”

A Prova que nunca ganhei…

Com efeito, durante a dúzia de anos que levei, correndo de bicicleta nunca consegui triunfar na segunda prova de maior impacto no Calendário ciclista português, depois da VOLTA A PORTUGAL!
Apesar da minha ambição de poder acrescentar ao meu Palmarés de êxitos uma vitória no Porto – Lisboa, que razões estiveram por detrás desse insucesso?... Do meu ponto de vista, isso aconteceu na sequência dum conjunto de parâmetros a que, aleatoriamente me irei referir:
O primeiro tem a ver com o facto de, durante o período em que fui corredor, apenas ter podido participar em quatro realizações do PORTO – LISBOA e isso por duas razões: um impedimento militar e a intermitência da minha presença em Portugal, nessa época. Com efeito, nas datas em que era disputado, cá, o PORTO – LISBOA, estive eu, em quatro VOLTAS A FRANÇA.
Depois aconteceu que eu, realmente, não sabia correr o PORTO – LISBOA, com os seus 360 Km. e as suas 8 / 10 horas de duração!... Na verdade, e no meu caso, (quando candidato à vitória), tinha que, individualmente, controlar as competições em que participava, da partida à chegada – tarefa que oscilava entre uma / duas horas e, muitas vezes, quatro / cinco horas.
Então o que é que acontecia, quando se tratava do PORTO – LISBOA?
Analisando o que se passou, eu alienava o, pormenor relativo às 8 / 10 horas de duração, mais os correspondentes 360 Km. a pedalar, do que resultava que, quem se comprometia em controlar a corrida para a ganhar, esgotava a “gasolina”, muito antes de chegar à meta!… Isso aconteceu-me, pelo menos duas vezes. Numa delas fiquei na zona do Ramalhal, (Torres Vedras) e a outra foi na subida de Vila Franca do Rosário. De cada uma dessas vezes, em que me faltou o “carburante”, caí num ritmo que nem sequer era o de cicloturista… Para mais lento, evidentemente.
No meu primeiro PORTO – LISBOA, quando cheguei ao fundo da Calçada da Carriche as minhas pernas, plenas de câimbras, não conseguiram responder ao ataque aí desferido pelo portista, Luciano Moreia de Sá, que foi conquistar a vitória na pista do Estádio de Alvalade.

Nas oportunidades, que tive de correr o PORTO – LISBOA, para além do que atrás ficou mencionado, sucederam algumas Estórias que de facto têm cabimento no texto presente.
Uma delas passou-se no PORTO – LISBOA em que fiquei na subida de Vila Franca do Rosário. Essa corrida, foi das mais espectaculares e desgastante da minha carreira. Fui obrigado a um esforço violentíssimo para anular uma fuga do rival, José Manuel Ribeiro da Silva, a qual durou de Coimbra a Leiria, (60 Km.)!... Só que Ribeiro da Silva, na passagem por Leiria, abandonou a prova, demonstrando que, para ele, o PORTO – LISBOA acabava ali, depois do desgaste a que já tinha obrigado o Alves Barbosa!... Foi assim que, nesse dia eu, fui acabar por ficar lá para os lados da SICASAL.
Na minha 3.ª participação no Porto / Lisboa, aquela em que eu me preparei, especialmente, contra tudo e contra todos, e me apresentei realmente, em condições de ganhar… surgiu o Imprevisto!... Ataquei, decisivamente, na subida da Carriche e conquistei um avanço de cerca de 200 / 300 metros em relação ao pelotão, trazendo comigo, dois outros corredores, (um deles o meu colega de equipa, António Maria). Era portanto uma situação que eu, ao sprint, esperava resolver com êxito… Só que ao chegar à zona de acesso à Pista de Alvalade, não havia qualquer sinalização, nem comissário de prova, que nos elucidasse, no caminho a seguir. Perante isso, raciocinei: «como andam em obras, no Estádio do Sporting, (facto que era do conhecimento público), certamente que a Chegada do Porto / Lisboa, será mais à frente, talvez no Campo Grande». E então prossegui o meu esforço seguido pelos dois corredores que me acompanhavam desde a ofensiva que lancei na subida da Carriche… Cem metros mais à frente, ainda e sempre na Alameda das Linhas de Torres, volto-me para observar a situação na retaguarda e, qual é o meu espanto e surpresa? O pelotão que circulava com os tais 200 / 300 metros de desvantagem, iniciava atrás, o acesso à Pista de Ciclismo do Alvalade!
E esta foi a minha Estória, nesse Porto / Lisboa, no qual cheguei ao fim, distanciado na vanguarda… Porém, a situação que aí encontrei, deu origem a que a vantagem de que dispunha, se transformou, no momento… em desvantagem!

O meu 4.º e último PORTO – LISBOA, aconteceu no ano em que eu, a treinar, sofri um queda de consequências graves, com fractura de crâneo, tendo ficado subjacente a perspectiva do meu fim como corredor de bicicleta. Contudo, felizmente consegui ”dar a volta por cima”, recuperei e voltei a correr, passados dois meses!
O Porto / Lisboa disputou-se pouco depois, tendo sido aquele que me foi mais fácil correr, situação que derivou, necessariamente, do estado psicológico com que enfrentei o evento, e me levou a encarar a tarefa como um não favorito, já que tinha justificações válidas relativamente ao meu baixo estado de forma e de saúde. Desta maneira o meu comportamento físico – técnico era de perfeita descontracção relativamente ao desenrolar da prova, ao contrário do que me acontecera nas edições anteriores. Foi assim que (praticamente em fim de carreira), consegui, à chegada à Pista de Alvalade, exibir uma imagem de descontracção que nada tinha a ver com a dum corredor que terminava uma prova de 360 quilómetros, conseguindo discutir, ao sprint, o 2.º lugar!
(O vencedor, foi Mário de Sá, que teve forças para manter a fuga que iniciara na Malveira).

OS TEXTOS DOS NOSSOS CONVIDADOS

Com a sua gentileza habitual, enviou-nos o Dr. José Magalhães Castela,a nosso pedido, o texto que abaixo reproduzimos, destinado ao nosso blog e que muito lhe agradecemos. Leia o texto e certamente ficará a saber mais sobre o Porto-Lisboa, já que, como é sabido, é o Dr. José Castela, um dos conhecedores do nosso ciclismo e um dos seus grandes divulgadores, de que os livros que escreveu sobre Alves Barbosa e Venceslau Fernandes, são a prova.




HOMENAGEM AOS CICLISTAS QUE PARTICIPARAM NO PORTO-LISBOA




( Por José Magalhães Castela )

Quero em primeiro lugar felicitar o Alcobaça Clube de Ciclismo, em particular a sua Comissão Coordenadora, pela realização da feliz iniciativa de homenagear os ciclistas vencedores do Porto-Lisboa, uma prova de muitas tradições, infelizmente desaparecida do calendário velocipédico português, e que se realizava num dia de especial significado para todos: No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

Acedendo ao amável e gentil convite formulado pelo Alcobaça Clube de Ciclismo, no sentido de me associar à homenagem, nomeadamente através da produção do meu Testemunho, é com imenso prazer que aceito o repto, que para a mim, adepto do ciclismo de estrada, não deixa de constituir um desafio deveras agradável.



Nos últimos anos da década de setenta ou nos primeiros da década de oitenta, não posso precisar, e num momento de natural descontracção dos corredores, pouco tempo antes de ser dada a partida do Porto-Lisboa, ouvi uma voz no meio do enorme pelotão, que afirmava que … quem vencia o Porto-Lisboa nunca vencia a Volta a Portugal do mesmo ano … . Se tal circunstância se confirmava ao longo dos anos em que a prova se realizou, nunca a curiosidade me deu para indagar. E também é verdade que poucos anos depois, o Marco Chagas, nesse ano a correr na formação da Mako Jeans, desfez-me as dúvidas. Efectivamente, no ano de 1983, e entre outras provas, o Marco Chagas venceu o Porto-Lisboa e a Volta a Portugal, feito esse, e com os dados que agora possuo, já tinha sido conseguido por José Maria Nicolau do Sport Lisboa e Benfica, em 1934, por Francisco Inácio do Sporting Clube de Portugal, em 1941, e por João Roque, igualmente do clube de Alvalade, em 1963.

Estou convicto de que o Porto-Lisboa faz imensa falta no calendário velocipédico português. Para além de se constituir como uma prova de estrada de longa distância a ser feita num só único dia, julgo mesmo, que enquanto se realizou, foi mesmo considerada a mais longa prova de estrada de todo o calendário velocipédico a nível mundial. Para os corredores estou convicto de que não deixaria de constituir uma prova interessante, podendo mesmo serem desenvolvidos esforços com vista à presença de corredores de alto nível mundial.
Obviamente que se pode discutir o real interesse desportivo da prova, questionar a sua oportunidade no calendário velocipédico, duvidar do próprio piso da Estrada Nacional 1 ( que tanto se apresenta com um piso em tudo semelhante ao de uma auto-estrada, como o mesmo se apresenta em lamentável estado de degradação ), ou até mesmo constatar a impossibilidade da sua realização face à eventual ausência de entidades públicas ou privadas que se proponham a patrociná-la. É assunto que não discuto.
Verifica-se que países europeus de grandes tradições velocipédicas, tem as suas provas de estrada de longa distância. Provas, é certo, com características e traçados diversos, mas que não deixam de levar anualmente muitos milhares de adeptos da modalidade à beira das estradas e merecem mesmo a cobertura integral por parte das respectivas cadeias de televisão nacionais. Refiro-me por exemplo, ao Milão-S.Remo, ao Tour de Flandres, ao Gant-Wevelgem, ao Paris-Roubaix, à Amstel Gold Race, à Flèche Wallonne, ao Liège-Bastogne-Liège, à Clássica S.Sebastian, ao Paris-Tours ou ao Giro da Lombardia, só para referenciar as mais conhecidas.

Não queria no entanto concluir este meu Testemunho, sem referir uma prova, que ao contrário do Porto-Lisboa ( com 74 edições ), nunca teve a mesma expressão em termos de tradição e continuidade anual, mas nem por isso devemos deixar de referir neste acto de homenagem: O Lisboa- Porto.
O Lisboa-Porto foi uma prova que se disputou apenas por 13 vezes, de modo irregular, sendo a 1.ª edição realizada em 1934, com vitória de Ezequiel Lino do Sporting Clube de Portugal e a 13.ª edição realizada em 1988, com vitória do David Assunção do Boavista. Ao que consegui apurar, era uma prova que proporcionava médias mais lentas que a sua congénere feita ao contrário, ao que tudo indica, devido à constante presença de vento, tradicionalmente a soprar de Norte. Grandes nomes da modalidade inscreveram o Lisboa-Porto no seu palmarés, como Ezequiel Lino, Alberto Moreira, Alberto Silva, Francisco Valada, Pedro Moreira, Américo Silva, o italiano Luciano Armani e David Assunção. E Alfredo Trindade, Fernando Moreira, Emiliano Dionísio, Leonel Miranda e Carlos Santos, podem mesmo orgulhar-se de terem no seu palmarés, a vitória nas duas provas: No Porto-Lisboa e no Lisboa-Porto.

Para terminar, gostaria de referenciar, que se todos os corredores que participaram no Porto-Lisboa são dignos do nosso maior respeito e admiração, que me seja permitido no entanto, nomear quatro deles, que subiram ao pódium em Lisboa por três vezes, revelando-se especialistas neste tipo de provas: João Francisco ( 1927, 1928 e 1933 ), José Maria Nicolau ( 1932, 1934 e 1935 ), Fernando Mendes ( 1971, 1972 e 1973 ) e Alexandre Rua ( 1980, 1982 e 1984 ).

Nicolau e Trindade

- O Benfica-Sporting dos anos trinta

Se fossem vivos, tinham completado este ano um século de existência. Os dois protagonizaram duelos incríveis, nas não menos incríveis estradas portuguesas dos anos trinta.
José Maria Nicolau (foto à esquerda), a força da natureza que desgastava os adversários até os deixar para trás e ganhar as corridas. Alfredo Trindade (foto abaixo, do lado direito), um corpo franzino que era já um competidor à medida dos tempos modernos, geria o esforço e obtinha também muitas vitórias.
Era sobretudo na Volta a Portugal que traziam à rua milhares e milhares de adeptos que a pouco e pouco foram aumentando. E a rivalidade entre os dois foi-se, a pouco e pouco, transformando numa rivalidade entre os clubes que representavam: Sport Lisboa e Benfica e Sporting Clube de Portugal.
Ambos naturais do Cartaxo, souberam sempre manter uma amizade muito grande e um grande espírito de camaradagem que só em desporto como o ciclismo é possível ainda encontrar hoje, de quando em vez.
Mais tarde, curiosamente, ambos viriam a ser treinadores do Benfica e ambos com bons resultados.
No centenário do seu nascimento saudamos, pois, o desportivismo que sempre demonstraram e o enorme respeito que tinham um pelo outro.
E saudamos também a Casa do Benfica e o Núcleo Sportinguista do Cartaxo que, fazendo jus ao espírito de ambos, lhes vão promover uma merecida homenagem no próximo domingo 19 de Outubro.
Bem hajam, Leopoldo Neves e Ana Caria!
Que vivam o Benfica e o Sporting!

Quem Passa Por Alcobaça...

TITO TIMÓTEO

Tito Tiago Timóteo, nasceu em 29/07/1958, na freguesia de São Pedro, concelho de Óbidos.
Iniciou a carreira em 1973, tendo-a concluído no ano de 1981.
Durante a sua careira representou o Lousa, Bombarralense, Belas, Nutrigado/Alcobaça, Campinense, Sangalhos e Ovarense.
Logo no primeiro ano de Seniores B, na Nutrigado/Alcobaça, ganhou 23 das 26 Provas em que participou, ganhou várias etapas em Grandes Prémios, caso da Volta ao Minho e do Grande Prémio do Porto em que foi 2º classificado na Montanha. Foi 2º na Camisola Rosa na Volta a Portugal.
Terminou a carreira profissional aos 23 anos, tendo retomado a competição em Veteranos em 2002, ao serviço do Sporting C.P.. Em Veteranos foi Campeão Nacional. Campeão Europeu e 3º no Campeonato do Mundo.


Foi um dos ciclistas forçados a parar, em Alcobaça, no Porto-Lisboa de 1982 e será um dos nossos homenageados.
Por isso...

Não passa sem cá voltar!